'É ótimo que a NFL coloque o Brasil em seu radar', diz pioneiro do país na liga

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da dobrowin

da dobrowin: A NFL, a liga de futebol americano e um dos torneios mais fortes do planeta em termos de organização e promoção, está de olho no mercado brasileiro. E o paulista Cairo Santos, indiretamente, faz parte desta estratégia da modalidade em voltar seus olhos para onde a bola redonda se sobressai sobre a oval.

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Em março deste ano, os organizadores da NFL divulgaram que consideram a possibilidade de realizar o Pro Bowl (o jogo das estrelas) de 2017 no Brasil, provavelmente no Maracanã. Enquanto o martelo não é batido, já que a Alemanha também é vista com bons olhos pelos americanos, os fãs tupiniquins da modalidade sonham com o primeiro jogo da liga no país. Desejo este compartilhado por Cairo, primeiro e único jogador brasileiro a atuar na liga.

-Eu estou louco para que isso aconteça. Espero que me escalem (risos). Eu achei ótima a decisão da NFL de colocar o Brasil em seu radar, o esporte tem crescido muito no país- falou Cairo.

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O kicker do Kansas City Chiefs fará em 2015 sua segunda temporada na liga. Enquanto no primeiro ano ele ainda era conhecido como “o primeiro brasileiro na NFL”, agora ele sonha mais alto e quer se firmar entre os dez melhores em sua posição de chutador – em 2014, Cairo foi o 17º em número de field goals marcados (25), e o 20º em porcentagem de acertos (83%).

Cairo Santos chuta um extra point na primeira rodada da NFL em 2015 (Foto: Thomas B. Shea/AFP)

Cairo também quer fazer sua parte na promoção da NFL no Brasil, e pretende realizar algumas ações no país em fevereiro ou março de 2016, quando a liga entra de férias. Até lá, o kicker paulista de 23 anos ajudará o futebol americano a ser mais conhecido por aqui de outra forma. Nesta quinta-feira, ele entrará em campo pelo Chiefs contra o Denver Broncos às 21h30 (de Brasília), em jogo que será transmitido ao vivo pelos canais Espn e Esporte Interativo.

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Veja abaixo a entrevista de Cairo Santos ao LANCE!, por e-mail, antes de sua estreia na temporada no último domingo, com vitória sobre o Houston Texans por 27 a 20.

LANCE!: O que mudou em sua vida e em sua carreira desde sua estreia na NFL, no ano passado, para a sua segunda temporada na liga?
Cairo Santos: Hoje encaro as coisas de uma maneira diferente, amadureci muito e aprendi a treinar ainda melhor, otimizei meus esforços. Por tudo isso, acho que essa temporada será ainda melhor que a primeira.

L!: É sabido que a carreira de um kicker é construída a cada chute. Bastam três ou quatro field goals errados para o jogador já começar a ser questionado, senão dispensado. Diante disso, como foi “sobreviver” na NFL e receber um grande voto de confiança do Kansas City Chiefs para disputar sua segunda temporada?
CS: Foi uma época de muito aprendizado. Já cheguei na NFL tendo que contornar essas críticas, um momento não muito legal, mas de muito proveito. E ter dado a volta por cima me dá uma confiança ainda maior para seguir rumo ao meu objetivo do momento, que é estar entre os dez melhores kickers da NFL nesta temporada.

L!: Atualmente, como você se vê dentro dos Chiefs, tecnicamente falando e também da “moral” dentro do time? Qual retorno você teve de sua primeira temporada dos diretores, comissão técnica e companheiros do Chiefs, sobre seus pontos fortes e o que precisa melhorar?
CS: Eu tenho um respaldo muito grande aqui, o pessoal gosta muito de mim e me esforço para ser melhor cada vez mais. Essa é uma combinação que vem dando certo, e estou adorando. Adoro morar e estar com meus companheiros do Kansas, o grupo está muito unido para voltarmos ao playoffs depois de ficarmos tão perto na última temporada. Eu não tenho um ponto especial que preciso melhor, busco a evolução constante.

L!: Na temporada passada, seu field goal mais longo foi de 53 jardas. Qual você acha que é o seu alcance atualmente? De quantas jardas você acha que é capaz anotar um field goal?
CS: Já chutei um de 48 na pré-temporada (risos). O chute depende muito das condições climáticas do local e da partida. Não consigo precisar uma distância que eu consigo ou não, varia muito. Mas o certo é que estou me esforçando cada dia mais para aumentar meu recorde.

L!: Em 2014, você foi decisivo em uma das partidas contra o San Diego Chargers, ao anotar o field goal da vitória. Você acha que este foi seu grande momento em 2014, ou escolheria outro?
CS: Foi, sem dúvidas! A estreia também foi muito legal, porque foi no dia 7 de setembro, dia da nossa independência. Mas contra o Chargers foi incrível, é um clássico, e anotar aqueles três pontinhos para a vitória foi o meu melhor momento na liga. Mas, como disse, me recordo com muito carinho do meu primeiro jogo também pela ligação especial com o Brasil.

L!: Além deste momento, outra cena te marcou em 2014, que foi a “rasteira” em cima do Percy Harvin, no jogo contra o New York Jets – o vídeo, inclusive, foi destacado no site da NFL e em outras páginas. O que passou por sua cabeça naquele momento, para cometer a falta? O que seus companheiros de time e treinadores te disseram sobre isso?
CS: Essa foi demais. Me inspirei no game Fifa (risos). Era tudo o que eu podia fazer para parar o ataque, a descida dele. Não pensei duas vezes. Meu time adorou! Foi um momento engraçado (risos).

L!: No ano passado, o Kansas City Chiefs quase foi aos playoffs, mas nitidamente sofreu para marcar touchdowns com os wide receivers, com o jogo ofensivo bastante concentrado no running back Jamaal Charles. Para este ano, você acha que o Chiefs pode chegar aos playoffs? E a equipe conseguirá mudar sua forma de atacar?
CS: Sem a menor dúvida! Estamos focados nisso, com muita vontade de dar essa resposta aos torcedores, levar alegria para eles. O time contratou bem, o (Jeremy) Maclin é um grande jogador e nos ajudará bastante nessa caminhada.

Veja abaixo como foi a estreia do Kansas City Chiefs na temporada 2015, em vitória sobre o Houston Texans

L!: Sobre a NFL em geral, quais equipes você aponta como favoritas ao título?
CS: Patriots, Seahawks, Broncos, aquelas que já nos acostumamos a ver na disputa pelo título. Os Colts estão bem também. Vai ser uma temporada muito legal. Vencemos nossos quatro jogos na pré-temporada, e a última vez em que isso aconteceu foi na temporada de 1969, que terminou com título dos Chiefs. Então… Quem sabe?

L!: Os últimos meses foram marcados por uma grande polêmica na NFL, que foi o caso do Deflategate. Como este assunto repercutiu entre seus companheiros de equipe e dentro do Chiefs como um todo?
CS: Procuramos não pensar nisso, não queremos nos envolver. O clima está ótimo para jogarmos e sairmos com as vitórias. Foi assim na pré-temporada, vencemos nossos quatro jogos. Então nem de longe pensamos nessa polêmica.

L!: Você já atuou em alguma partida e suspeitou algo estranho no peso das bolas, inclusive no jogo que vocês fizeram contra o New England Patriots na temporada passada?
CS: Não! Eu estava tão feliz de jogar contra o (Tom) Brady que nem percebi como estavam as bolas (risos). Sei que chutei bem e vencemos. Mas as condições das bolas estavam normais, com certeza.

L!: Você acha que o Deflategate acabou manchando a imagem da NFL, até pelo fato do time que foi campeão da liga ter uma grande suspeita de irregularidade em cima de si?
CS: Acho que não, é a liga mais valiosa do mundo, mais importante. A imagem da NFL é muito boa no mundo inteiro, como pude presenciar na promoção que fizemos em Londres há alguns meses atrás. Claro, não é legal ter uma polêmica como essa, mas acho que a NFL não foi prejudicada e nem sua credibilidade.

Cairo Santos (centro) ri com companheiros do Kansas City Chiefs no vestiário (Foto: Divulgação)

L!: A NFL cogita fazer o Pro Bowl em 2017 no Brasil, mais especificamente no Maracanã. O que você acha desta decisão da NFL de voltar seus olhos para o mercado brasileiro?
CS: Eu estou louco para que isso aconteça. Espero que me escalem (risos). No início do ano, contratei uma agência para cuidar da minha imagem no Brasil e temos trabalhado muito, as empresas estão começando a olhar para o futebol americano no Brasil. Eu achei ótima a decisão da NFL de colocar o Brasil em seu radar, o esporte tem crescido muito no país. Mais times a cada dia, mais pessoas querendo jogar, querendo assistir. Sinto o carinho dos fãs pelas redes sociais, e isso me deixa muito feliz.

L!: Você foi ouvido pela liga e teve a chance de dar algum palpite, ou não foi procurado?
CS: Ainda não, não me consultaram sobre isso. Mas eles sabem que o Brasil adora esportes, recebe edições de grande competições e é um país que está se acostumando com grandes eventos esportivos. Temos o Carnaval, Réveillon, eventos que o mundo inteiro desembarca no Brasil. O país está no mapa esportivo, e a NFL está de olho nisso. Se for procurado, farei de tudo para isso se tornar realidade.

L!: Como seria para você marcar um field goal em pleno Maracanã, caso fosse convocado para o Pro Bowl?
CS: Rapaz, nem sei como comemoraria (risos). Acho que correria para a torcida como o Zico, com a mão erguida. Seria incrível! Jogarei no estádio de Wembley em novembro, um outro templo do futebol, mas nada se compara ao Maracanã. Eu estou ansioso para a temporada acabar e eu voltar ao Brasil, ao Rio. Quero assistir um jogo do meu Flamengo no estádio, se possível da Libertadores (risos). Acompanho o time daqui e vejo que estamos embalados. Estou na torcida para que esse Pro Bowl se confirme.

L!: Você tem planos para o futuro para disseminar mais o futebol americano no Brasil, com clínicas ou outro tipo de ações?
CS: Sim, hoje tenho uma agência que me ajuda com isso no Brasil. Temos muitos projetos para trabalhar no auxílio do crescimento do esporte no meu país, o que é um dos meus desejos de carreira. Já estamos planejando algumas ações para fevereiro, março do próximo ano, quando acaba a temporada. Vai ser bem legal! Quero estar mais perto dos fãs brasileiros, ajudar muito no crescimento do futebol americano. Sou uma referência para o país por ser o único aqui, tenho essa responsabilidade e é uma coisa que eu queria ter mesmo. Sou uma espécie de embaixador e vamos conquistar coisas incríveis para o futebol americano brasileiro.

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